UNA ACLARACIÓN MUY OPORTUNA

Ponemos en el conocimiento de nuestros amables lectores que todo el material que ofrecemos como posts en este blog ha sido extraído de la obra LOS FUNDAMENTOS DEL ESPIRITISMO, previa autorización de su autor nuestro distinguido amigo Prof. Jon Aizpurua.

No nos atreveríamos a divulgar este precioso e invaluable material doctrinario y de divulgación de la cultura espírita si no tuviésemos de antemano la autorización expresa de su autor, de lo contario incurriríamos en el plagio, actitud que nos despierta repugancia tan sólo con mencionar el término.

Hemos escogido esta obra, LOS FUNDAMENTOS DEL
ESPIRITISMO, porque estamos seguros que ella constituye la exposición más actualizada de los postulados doctrinarios expresados por el Codificador Allan Kardec, enmarcados en nuevo contexto paradigamático; el vigente en estos tiempos que corren.

En LOS FUNDAMENTOS DEL ESPIRITISMO el autor reinvidica el verdadero carácter de la Doctrina Espírita, como un sistema de pensamiento laico, racionalista, e iconoclasta, alejado de todo misticismo religioso, tal como fue codificada la Doctrina por el Maestro Allan Kardec en el siglo diecinueve.

Esta obra es eminentemente didáctica, porque está escrita en un estilo ágil y ameno, sin que por ello pierda consistencia en su brillante exposición de ideas, llegando a toda clase de público lector, desde el estudioso del Espiritismo hasta aquellas personas que se encuentran en la búsqueda de una filosofía racional que les ayude a pensar al mundo y a sí mismos.

René Dayre Abella
Nos adherimos a los postulados doctrinarios sustentados por la Confederación Espiritista Panamericana, que muestran a la Doctrina Espírita como un sistema de pensamiento filosófico laico, racionalista e iconoclasta. Alejado de todo misticismo religioso. Apoyamos la Carta de Puerto Rico, emanada del XIX Congreso de la CEPA en el pasado año 2008.

jueves, 18 de junio de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 230 - JUNHO 2015

XXII Congresso da CEPA já definiu tema:
A Espiritualidade no Século XXI
O XXII Congresso Espírita Pan-Americano, em maio de 2016, será na cidade argentina de Rosário. Sua temática central oportunizará o intercâmbio com outras correntes de pensamento que, com o espiritismo, contribuem para o avanço da espiritualidade no Século XXI.
         
A universalidade do pensamento espírita
Para o presidente da CEPA, Dante López (Rafaela, Argentina), o tema permitirá trabalhar “a universalidade do pensamento espírita, unido a outras correntes que acompanham as luzes da espiritualidade, sugerindo que estamos conectados com outras dimensões mais sutis que nos acompanham”.
É de se recordar que o último Congresso da CEPA, realizado na cidade de Santos, São Paulo, Brasil, no ano de 2012, tratou de um tema específico, a reencarnação, propiciando amplo exame do tema à luz da proposta kardecista, mas, igualmente, abrindo espaços para conexões com outras correntes, como o hinduísmo, a antroposofia  e a parapsicologia.
No Congresso de Rosário todos os aspectos de espiritualidade que integram o conhecimento espírita buscarão essas conexões, em sua dimensão universalista. Será um esforço desenvolvido em duas mãos: para que mais pessoas conheçam o espiritismo e para que os próprios espíritas tomem contato com esforços convergentes desenvolvidos em outros setores, fora do âmbito espírita.

Centro de Convenções Puerto Norte sediará evento
O “Centro de Convenciones Puerto Norte” - www.salonespuertonorte.com.ar -, moderno complexo situado na cidade argentina de Rosário, sediará o evento, no período de 25 a 29 de maio de 2016. A cidade sede do XXII Congresso Espírita Pan-Americano é uma das mais importantes e belas da Argentina, dotada de excelente rede hoteleira e com rotas aéreas diretamente de São Paulo e de outras capitais mundiais. A Comissão Organizadora, mais proximamente ao evento, buscará obter taxas especiais de hospedagem para os participantes do Congresso. Entretanto, as inscrições, no valor de 50 dólares por pessoa, já estão abertas. O site oficial da CEPA - http://www.cepainfo.org/ - estará fornecendo todas as informações.
Os informes iniciais prestados por Dante López, em mensagem dirigida aos participantes do VII Fórum do Livre-Pensar Espírita, em Domingos Martins, Espírito Santo, transmitem sua firme convicção de que o “o evento terá altíssima qualidade em seu aspecto doutrinário, graças à presença de expositores já comprometidos, que virão da Espanha, França, Guatemala, Porto Rico, Venezuela, Estados Unidos e, naturalmente, do vasto Brasil”. O presidente da CEPA adiantou haver convidado algumas personalidades detentoras de conhecimentos de outras disciplinas afins ao espiritismo, algumas das quais já confirmaram a presença. A pluralidade dos temas deverá atrair pessoas não espíritas, especialmente daquela região, que, assim, terão seu contato com questões teóricas da espiritualidade, numa visão marcadamente espírita, mas com aportes trazidos por outras fontes.






Um instigante desafio
Promover congressos para reunir espíritas e tratar de temas já consensualizados ou aos quais os espíritas aderiram por razões de obediência e fé não é tarefa difícil. O modelo consolidou-se. Nele, indefectivelmente, os mesmos oradores, cuidadosamente selecionados, fazem desfilar ideias sedimentadas, com pouco ou nenhum espaço ao debate e sem chances à apresentação de teses inovadoras que poderiam turbar a “pureza doutrinária”. O contraditório, aliás, não se coaduna com a fé religiosa.
A CEPA tem buscado modificar esse quadro, restituindo aos Congressos Espíritas aquele mesmo sentido recomendado por Allan Kardec, ou seja, de funcionarem como vetores da ampliação e do progresso do conhecimento espírita. Quando, no ano 2.000, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre organizou o XVIII Congresso da CEPA, com o tema “Deve o Espiritismo Atualizar-se?”, endereçamos convite à Federação Espírita Brasileira, numa tentativa de criarmos, ali, a interlocução com outros segmentos do movimento espírita. Na ocasião, o então presidente da FEB, Juvanir Borges de Souza, declinou, delicadamente, do convite, alegando que a temática da atualização estava fora das cogitações daquela instituição, porque atualizar seria tarefa exclusiva dos “Espíritos superiores”. A CEPA tem entendido distintamente. Atenta às lições kardecianas, expostas em “A Gênese” - Caráter da Revelação Espírita -, reconhece a origem do espiritismo como uma tarefa atribuída, modestamente, por Kardec aos espíritos, mas com a importante ressalva de que “sua elaboração é fruto do trabalho do homem”.
Evidentemente que o ser humano, a quem compete a elaboração constante e progressiva do conhecimento espírita, não está preso às instituições espíritas ou à condição nominal de “espírita”. O Congresso de Rosário buscará a interlocução com pensadores, homens de ciência e espiritualistas de outras denominações. Isso não retirará do evento a condição de um congresso genuinamente espírita. Ao contrário, sua conexão com a diversidade de fontes de onde provém o conhecimento só pode enriquecer o espiritismo, desde que tais aportes sejam examinados pela ótica do bom senso e da racionalidade espírita.
A CEPA, com sua larga e firme tradição kardecista, saberá conduzir inteligentemente esse processo. Confiamos nisso. Talvez mesmo encontre terreno mais propício para o diálogo com outras áreas do espiritualismo do que com os próprios espíritas. Mesmo assim, o desafio é realmente instigante. (A Redação)





Ensino Religioso
em Escolas Públicas?



“A escola pública não é lugar para o ensino confessional e também para o interconfessional ou ecumênico.” – Deborah Duprat, Subprocuradora-Geral da República.

Tramita no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4439), ajuizada pela Procuradoria Geral da República. Questiona-se ali o ensino religioso confessional, ou seja, vinculado a uma religião específica, seus credos e dogmas.
Na prática, busca a Procuradoria Geral da República que seja assentada a única interpretação constitucional possível ao artigo 33, parágrafos 1º e 2º da LDB, ou seja, que o assim chamado “ensino religioso” tenha caráter efetivamente não-confessional, conforme se pode inferir do artigo 205 da Constituição Federal cujo espírito é no sentido da formação de pessoas autônomas, com capacidade de reflexão crítica.
A ação pretende se adotem normas de conteúdo claramente laico, diante da dubiedade de interpretações legais, notadamente com a prática corrente de as escolas públicas deferirem a ministros de confissões religiosas o ensino da matéria. Recorde-se que a LDB, promulgada em 1997, faz do ensino religioso matéria de “matrícula facultativa”, que respeite a “diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”. A tese da PGR é de que o Estado deve oferecer conteúdo programático com exposição das diferentes doutrinas, suas práticas, sua história e respectivas dimensões sociais, incluindo-se aí também as posições não religiosas, “sem qualquer tomada de partido por parte de educadores”.
Se procedente, a ação do Ministério Público evitará que sacerdotes ou pastores ministrem em escolas públicas os conteúdos de seus dogmas particulares, como também que as igrejas cristãs, concordes nos respectivos dogmas comuns, façam doutrinação a partir dos mesmos ao alunato, sob a roupagem de “ecumenismo”, o que também guardaria caráter confessional. Por isso mesmo, é o momento de as entidades e correntes de pensamento verdadeiramente comprometidas com a liberdade de pensamento, a laicidade e a efetiva separação entre o Estado e a religião, se posicionarem em favor do êxito da demanda judicial.
O Supremo Tribunal Federal agendou para o dia 15 deste mês de junho uma audiência pública, oportunizando, assim, a que diferentes entidades representativas do pensamento religioso e secular discutam a matéria e tragam subsídios ao posterior julgamento.
Entre as entidades inscritas para a audiência está a Federação Espírita Brasileira. Dela é de se esperar uma posição firme de apoio à demanda do Ministério Público Federal. Recorde-se que, historicamente, o espiritismo, no Século 19 e primeiras décadas do Século 20, quando mais se discutiu no mundo a questão da laicidade do Estado, teve postura destacada em favor da tese. O momento é de se ratificar esse entendimento, enriquecido do entendimento de que espiritualidade e religião têm diferentes conotações. Aquela é livre, formada e nutrida por sentimentos de humanismo e de racionalidade. Esta guarda comprometimento com mistérios vindos da revelação e sustentados pela fé. Aquela é naturalmente desenvolvida pela educação, insuscetível de proselitismo, porque em sua base estão valores universais. Esta liga-se a sistemas de crenças que, para subsistirem e alcançarem seus intentos salvacionistas, requerem a catequização, a doutrinação, por vezes invasiva à consciência individual. Aquela, queira-se ou não, transita livremente pela escola pública que se compromete com a formação de valores seculares e humanistas. Já esta tem nos seus templos o local apropriado aos respectivos cultos, aos quais comparece quem o queira e adere quem está de acordo com a fé ali pregada.
A escola pública não tem qualquer compromisso com a fé, que é questão de foro íntimo. Seu objetivo é a formação de homens e mulheres livres, comprometidos com a cidadania e com os valores éticos universais.




         


As fraudes do leite
Ouvi numa rádio aqui de Porto Alegre: “Essa turma presa pelas fraudes do leite deveria ser obrigada, todas as manhãs, na cadeia, a tomar café com leite misturado a insetos, coliformes fecais e todas as nojeiras que adicionaram ao nosso leite”. Referia-se a uma série de crimes descobertos por aqui, atribuídos a produtores e transportadores de leite.
Quem não se sentiria estimulado a apoiar a proposição daquele comunicador? Grita nos atávicos recônditos da alma da gente um sentimento de justiça que reclama sofra quem produziu um dano as mesmas consequências causadas por ele. Mas essa é a forma mais primária de solução de conflitos. Por milênios, funcionou assim. A pena tinha caráter exclusivamente retributivo: fez, tem que pagar, com a mesma moeda.
 O humanismo abriu à justiça penal outras dimensões, começando por abolir as penas infamantes. Ao invés de retribuir o mal com outro mal da mesma natureza, cabe ao Estado inibir a prática do delito e buscar ressocializar o delinquente. Suprime-se sua liberdade, não a dignidade humana. O ressarcimento do dano também aparece como consequência natural da prática do delito. A própria prisão, em muitos casos, é substituída pela prestação de serviços comunitários.

Justiça divina?
Fiz essa breve digressão da evolução da pena para, então, perguntar: se, em nosso plano material, chegamos a esse estágio que entendemos mais civilizado, o mesmo não deveria acontecer na dimensão espiritual? Se somos, como dizia Kardec, uma mesma humanidade, encarnada ou desencarnada, não será normal que iguais princípios de respeito à dignidade vigorem no plano material e espiritual? Ou a pena, nos mundos imateriais, tem mera função retributiva?
Vasta literatura de presumível origem mediúnica nos transmite a ideia de que, no mundo espiritual, as penas são tão bárbaras como eram aqui em tempos recuados. É crível que, lá, espíritos raivosos e revoltados com as injustiças aqui sofridas sejam levados a práticas de vingança contra seus anteriores ofensores. O mundo espiritual, como o material, é plural, constituído de comunidades em diferenciados estágios de progresso moral. O que não consigo aceitar é que denominemos atos de vindita e de indignidade humana lá ocorridos como expressões da “justiça divina”.  Para mim, movimentos humanistas como os nossos aproximam-se muito mais daquilo que possamos nominar como justiça de Deus.

Umbral espírita ou inferno cristão?
Situações descritas por aquele tipo de literatura mediúnica se referem a imposições de sofrimentos absolutamente desumanos, no chamado mundo espiritual. Quem os aplica e em nome de quem o faz? De Deus? Agora têm aparecido mensagens que falam em um tal “vale dos espíritas”. Nele, milhares de espíritos que, na última encarnação, conheceram a doutrina espírita, alguns, inclusive, se havendo tornado importantes dirigentes no movimento, estariam comendo o pão que o diabo amassou. Não seria de se duvidar lhes fosse servido, no dejejum, o leite com todas as porcarias que o comunicador gaúcho gostaria se dessem aos empresários safados responsáveis pela fraude do leite. Tudo isso porque não souberam se valer do conhecimento espírita para operaram em suas vidas uma mais ampla transformação moral.
Ou muito me engano ou as chamadas “zonas umbralinas” espíritas são, muitas vezes, verdadeiros infernos cristãos que fariam inveja a Dante na sua Divina Comédia.

Somos nossos próprios juízes
Aprendi com Allan Kardec que a encarnação é oportunidade de progresso dada pela natureza ao espírito na sua caminhada rumo à perfeição. A regra é que, em cada jornada terrena, avançamos um pouco em aprendizado e moralidade. A verdadeira justiça divina é tolerante e pacienciosa com nossas imperfeições. No mundo espiritual, com certeza, sofremos aos nos deparar com as oportunidades perdidas, e adquirimos maior amplitude de consciência para o exercício do autojulgamento retificador. Isso, por si só, já se constitui em eficiente consequência penal pelos erros cometidos.
Agora, se, aqui, tivermos mantido ideias retrógradas de vingança, egoísmo, orgulho, discriminação e desprezo aos naturais e legítimos direitos do ser humano, lá seremos atraídos para ambientes condizentes a esse atraso social e moral. Mas isso nada tem a ver com justiça divina. Cada espírito permanece exatamente no patamar construído por seu próprio psiquismo.
Está na hora de exorcizarmos da reflexão espírita um pouco da culpa judaico-cristã, substituindo-a por noções de responsabilidade.









Poderíamos nos estender em múltiplas considerações acerca da frase utilizada como epígrafe deste artigo, esculpida pelo filósofo, teólogo, músico e médico nascido na então Alsácia alemã, atualmente território francês, em meado do século XIX. Entretanto suas palavras são límpidas e de tamanha objetividade, e, por isso, capazes de fazer com que o dito  – com princípio, meio e fim -, seja considerada uma verdade absoluta, sem qualquer possibilidade de algo a se lhe acrescentar.

Busquemos na história, a história de todos os tempos – antiga, contemporânea e atual -, as figuras que se transformaram em verdadeiros ícones, desafiando o tempo, mudando paradigmas, conceitos, e até o próprio mundo ao alterar os valores vigentes não apenas por meio de suas prédicas, mas fundamentalmente através de suas ações, em suma, de seu exemplo.

Esses luminares, em todos os campos do conhecimento humano desde o filosófico religioso, passando pelas ciências – em todas as suas especialidades -, pela sociologia e, com ela, o comportamento humano, em seu dia-a-dia, nos influenciaram de tal maneira que o mundo em que vivemos hoje seguramente não seria o mesmo sem seus importantes legados.

Mais que legados, eles ofertaram substantivas contribuições ao desenvolvimento da humanidade, especialmente no que tange à moral, com seus exemplos únicos a se destacarem do lugar comum.

O homem moderno em sua faina diária, em sua luta pela vida – pela sobrevivência -, inserido que está em uma sociedade globalizada altamente competitiva, tende a esquivar-se de sua responsabilidade perante a sociedade olvidando esse importante aspecto: o exemplo; quando também não o faz diante de seu círculo mais estreito de relacionamento – o familiar - e de suas amizades, infelizmente. Notícias estampadas com destaque nos periódicos nos dão conta dessa realidade.

Adjetivos relacionados com a “esperteza”, com a famigerada “lei de Gerson” (personagem, a propósito, que pessoalmente nada merece desse rótulo) contrários, portanto, com a moralidade – lato sensu – são apreciados pela sociedade e os indivíduos que assim praticam passam a granjear popularidade – quando não são alvos até de uma “pitada” de inveja. Transformam-se em “pessoas bem sucedidas”, em empresários e empreendedores vitoriosos e, lamentavelmente para o Brasil, em políticos aplaudidos por uma população que os enaltece em face de uma absoluta inversão de valores – éticos e morais!

Tristemente, é esse o quadro que se pode atualmente divisar...

Cabe a cada um de nós, sendo mesmo imperioso que, rapidamente, reformulemos nossos conceitos, que voltemos os olhos para os valores de raiz que nos foram legados, que nos esforcemos para modificar esse indesejável “status quo”, senão por nós mesmos, seguramente por todos aqueles que irão nos suceder.

É o momento de darmos o exemplo, no ambiente doméstico, junto aos nossos amigos, no trabalho, nas ruas, enfim, de nos portarmos como cidadãos dignos e homens de bem com responsabilidades não limitadas apenas ao presente e ao material, mas com os valores perenes que se sobrelevam e atravessam o tempo, todos os tempos!

Mais do que nunca, urge que nos coloquemos imediatamente em ação!




A participação do CCEPA no Fórum da CEPABrasil
Levando a Domingos Martins/ES, a maior delegação do VII Fórum do Livre-Pensar Espírita,onze participantes, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre teve destacada atuação no evento.
O presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, foi um dos palestrantes, dissertando sobre o tema “A Contribuição da Filosofia Espírita para o Desenvolvimento Ético da Sociedade”, trabalho apresentado no painel “As Consequências Morais. Éticas e Estéticas da Filosofia Espírita”, que foi coordenado por Rui Paulo Nazário de Oliveira, também do CCEPA e do qual constou ainda a exposição do trabalho de Jacira Jacinto da Silva (São Paulo/SP): As Consequências Filosóficas do Espiritismo na Espiritualização da Justiça, da Educação e da Política.
Registre-se, ainda, depoimento prestado por Clarimundo Flores, integrante de Grupo de Estudos do CCEPA, na mesa redonda, coordenada por Mauro Spínola (São Paulo/SP), “Uma Visão Laica e Livre-Pensadora sobre os Fundamentos do Espiritismo”, no qual aquele companheiro destacou sua adesão a essa forma de ver e sentir o espiritismo, modelo encontrado no CCEPA. Também a vice-presidente do CCEPA, Eloá Popoviche de  Bittencourt, na mesa redonda “Projetos Espíritas Livre-Pensadores de Atuação Sociocultural”, coordenada por Leopoldo Daré (Ribeirão Preto, SP) apresentou longo depoimento, historiando atuações comunitárias do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
No encerramento do evento, o presidente da CEPABrasil, Homero Ward da Rosa, recordou que a autoria do cartaz de divulgação do Fórum é de Maurice Herbert Jones, do CCEPA, a quem pediu uma salva de palmas.

Tricotando com Amor
Desde março do corrente ano, em todas as segundas-feiras, à tarde, reúne-se numa das salas do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre um grupo de senhoras que confecciona enxovais infantis, posteriormente entregues a instituições que cuidam de crianças carentes enfermas.
O grupo, carinhosamente chamado de “As Tricoteiras do Amor” (foto) está aberto a novas adesões, assim como ao recebimento de doações úteis ao trabalho que realiza.





O Espiritismo e a “Moral Cristã” – editorial maio/2015
Sou um entusiasta da Causa Espirita desde muito jovem, mas vejo que poucos compreendem o verdadeiro caráter do Espiritismo e sua vasta aplicação em nossas vidas. Fala-se demasiadamente no Cristo, onde podemos até rotular estes de Cristólatras, saindo muito do que o Espiritismo tem a nos trazer.
Mas, não somos intolerantes e continuamos a nossa jornada de trabalho nesta esfera, defendendo fortemente o ideal do Espiritismo Livre, sem amarras religiosas, pautados profundamente em todas as Obras de Kardec, sem exceções, e o principal disto tudo, buscando a aplicabilidade destes grandes ensinamentos em nossa vida pessoal.
Eduardo Theodoro – Campanha/MG (manifestação na lista da CEPA na Internet)

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CCEPA Opinião na Venezuela
 Felizmente, he vuelto a recibir "Opinião", aunque llega con retardo de dos a tres meses, pero es una felicidad poder leerla y aprovechar su estupendo material doctrinario e informativo.  Aquí en el CIMA se reparten los ejemplares que llegan y se están fotocopiando 50 adicionales para repartir entre los miembros.
Jon Aizpurua – Caracas, Venezuela


sábado, 9 de maio de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 229 - MAIO 2015


Em 22 de maio de 2015, completam-se 130 anos da desencarnação de um dos maiores gênios da literatura mundial: Victor Hugo, romancista e poeta francês, cujas convicções espíritas marcaram sua obra e sua vida.

As mesas girantes na Ilha de Jersey
No ano de 1857, quando Allan Kardec (1804/1869) lançava, na capital francesa, a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, seu famoso compatriota, Victor Hugo (1802/1885), não vivia em Paris. Por conta de divergências políticas com Napoleão III, então imperador da França, o autor de “Os Miseráveis” se exilara, desde 1852, na Ilha de Jersey, entre a França e a Inglaterra. Nem por isso, o grande poeta e romancista francês esteve alheio aos fenômenos paranormais que chamaram a atenção do Professor Rivail e de cuja investigação nasceria a doutrina espírita.
Na mesma época em que, em Paris, aconteciam as sessões com as chamadas mesas girantes e falantes, Victor Hugo, realizava, em sua casa, naquela ilha britânica, idênticas experiências das quais resultaram interessantes comunicações mediúnicas atribuídas ao espírito de uma filha sua, Léopoldine, que havia desencarnado, anos antes, por afogamento, no rio Sena, e a outras entidades espirituais, entre elas Sócrates, Mollière, William Shakespeare e Dante Alighieri.
Recente atividade cultural do museu “Maison de Victor Hugo”, de Paris (janeiro de 2013), resgatou esses episódios da biografia do imortal francês, com a exposição “Entrée de Médiums – Spiritisme et Art d’Ugo à Breton”, a partir de relatos do também escritor francês André Breton(1896/1966).

As relações de Victor Hugo com o Espiritismo
Em “El Espiritismo y la Creacion Poetica” (Ediciones CIMA, Caracas), Jon Aizpúrua dedica várias páginas à obra de Victor Hugo e suas relações com o espiritismo. As experiências do escritor com as mesas girantes começaram por sugestão de sua amiga, a poetisa e autora teatral Delfina de Girardin, que o visitou em Jersey, em 1853. Dois anos depois, em 1855, Hugo relataria, em carta, a Madame de Girardin: “As mesas me dizem as coisas mais surpreendentes. Quisera falar à senhora sobre elas e beijar suas mãos...ou asas! Todo um sistema cosmogônico  sobre o qual eu estive refletindo e escrito em parte, durante os últimos vinte anos, foram confirmados pelas mesas e com detalhes magníficos. Vivemos hoje um misterioso horizonte que muda todas as perspectivas de nosso desterro e pensamos na senhora, a quem devemos a abertura dessa janela”. Naquele mesmo ano, Delfina de Girardin desencarnaria em Paris, depois de ter tido encontros com Allan Kardec que, então, já preparava “O Livro dos Espíritos”. Ela, mais tarde, enviaria do mundo espiritual, mensagem que integra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Victor Hugo só regressaria a Paris com a queda do Império, em 1870, quando Kardec já havia desencarnado (1869), mas, nesse período, manteve intercâmbio com Camille Flamarion, o famoso astrônomo francês, membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundada por Allan Kardec. Em seus “Anais Políticos e Literários”, Flamarion deixou escrito: “A inquebrantável crença na manifestação dos espíritos foi, para o gigante da literatura do século XIX, um incentivo para a vida, para o trabalho e para o amor a seus semelhantes”.

O pensamento espírita de Victor Hugo em frases
•         “Todos os seres são, foram e serão”.
•         “A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.”
•         “O homem semeia hoje a causa, Deus amanhã amadurece o efeito”.
•         “Os mortos são uns invisíveis, e não uns ausentes”.
•         “O homem é uma prisão em que a alma permanece livre”.
•         “A arte é uma ferramenta; os espíritos são os operários”.
•         “Digo que a sepultura que se fecha sobre os mortos abre o firmamento, e que aquilo que se toma como fim é o começo”.
•         “O berço tem um ontem e a sepultura um amanhã”.
•         “Quanto mais me aproximo do fim, mais escuto em torno de mim as sinfonias imortais dos mundos que me chamam. Isto é maravilhoso e, contudo, é tão simples”.
•         “Quando me curvar para o túmulo, poderei dizer como tantos outros: meu dia de trabalho começará de novo amanhã. A sepultura não é um beco sem saída, é uma passagem. Ela se fecha no crepúsculo, ela se reabre na aurora!”.

 


Um gênio autenticamente espírita
Dono de rara genialidade na arte de escrever, manifestada já em tenra idade, Victor Hugo passou parte da vida buscando separar sua produção intelectual daquilo que admitia receber do mundo invisível. Deixou, a propósito, escrito que, por “consciência literária e por respeito ao próprio fenômeno”, dele se havia isolado. Dizia: “Impus a mim próprio toda e qualquer mistura em minha inspiração, de modo a conservar minha obra tal como é, absolutamente minha e pessoal”.
Seus críticos, no entanto, notadamente aqueles que admitem e analisam sua condição de médium inspirado, não concordam com essa separação absoluta. Jon Aizpúrua registrou: “Hugo costumava escrever de pé ou caminhando, declamando os versos, deixando cair as folhas de papel ao solo, presa de uma exaltação criadora, própria de seu temperamento genial e da inspiração com que lhe brindavam seus amigos espirituais”.
Com efeito, a mediunidade, vista sob a perspectiva kardeciana, tem o condão de aproximar e fundir ideias e pensamentos intercambiados por inteligências encarnadas e desencarnadas. No caso de Victor Hugo, a presença constante, na mesa mediúnica de Jersey, de humanistas e amantes da literatura, para lá atraídos, justamente pelas energias criadoras do famoso escritor nessa mesma direção, produziam a harmonização de formas e sentimentos por todos compartilhados. Aliás, consignou o escritor argentino Humberto Mariotti, no livro “Victor Hugo, el Poeta del Más Allá”, que o grande escritor francês aceitou o espiritismo como “mensagem de Verdade e de Beleza”. Tais valores ele, naturalmente, cultivou ancorado nos princípios da imortalidade do espírito e seu infinito progresso no rumo da beleza e da sabedoria, marcas que se fazem presentes em toda sua obra.
Ao traduzir o livro de Mariotti para o português, dando à versão o título de “Victor Hugo, Espírita” (disponível em www.viasantos.com/pense), Wilson Garcia sublinhou que era preciso “colocar a posição espírita de Victor Hugo de modo incisivo, porque grande parte dos estudiosos e críticos de sua obra escondem esse aspecto ou torcem o nariz”.
          Contribuindo, modestamente, com esse justo objetivo, e unindo-se ao esforço em prol desse necessário resgate histórico, CCEPA Opinião faz este registro, no mês do 130º aniversário da partida para a dimensão espiritual daquele ilustre compatriota e contemporâneo de Allan Kardec, de cujas ideias compartilhou com bastante intimidade. (A Redação).



O Espiritismo e a “Moral Cristã”
“Nenhuma filosofia espiritualista é mais ventilada, assectária, progressista e racional que o Espiritismo.” (Maurice Herbert Jones, em “Espiritismo: o Pensamento Atual da CEPA”).

          A palavra moral deriva da expressão latina “mos-mores”, que significa “costume”. Costumes, sabe-se, nem sempre combinam com a melhor ética ou com aquilo que Allan Kardec denominou lei natural. Refletindo, em um dado momento, o estágio evolutivo de indivíduos, povos e civilizações, costumes são constituídos por fatores diversos, dentre os quais as crenças daqueles que os adotam.  Por eles se exterioriza a cultura de uma pessoa ou de um agrupamento humano.
          Em nosso meio, nos habituamos a utilizar a expressão “moral cristã”, que, entretanto, é, no mínimo, ambivalente. É verdade que muitos a empregam para designar os valores éticos pregados por Jesus. Outros, no entanto, e é o caso das igrejas que, em seu conjunto, formam a cristandade, tomam-na como expressões mandamentais e regramentos de conduta, resultantes dos dogmas por elas defendidos.
          Precisamente em nome desse tipo de “moral cristã” da qual se dizem guardiãs as igrejas, por muito tempo fomentou-se a intolerância religiosa, o combate violento às chamadas heresias e à liberdade de pensamento, a preservação da submissão do Estado à Igreja, a perseguição a homossexuais, a minorias raciais, etc. Em fase ainda recente de nossa história pátria, retardou-se por decênios a legalização do divórcio, o emprego de preservativos garantidos por uma política laica de planejamento familiar, assim como muitos outros costumes que a sociedade civil terminou por adotar, em franca oposição ao retrógrado pensamento religioso, por tanto tempo dominante. Ainda hoje, as chamadas bancadas cristãs e evangélicas de nossos Parlamentos são forças conservadoras, sistematicamente em oposição às tendências progressistas inerentes ao processo de evolução política e social. Suas posições, sustentam seus integrantes, obedecem aos ditames da “moral cristã”.
          Diante dessa realidade fática construída pelo cristianismo real, esta expressão, “moral cristã”, restou claramente definida e com contornos ideológicos muito bem assimilados pela sociedade. Pouco tem ela ver com o pensamento liberto de Jesus de Nazaré e com o seu ensino de validade universal, aplicável a todas as culturas, independente de crença, livre de dogmas e profundamente humanista. Ao contrário, o perfil construído pela cristandade está fundado em crenças, e sua história está eivada de episódios que contrariam flagrantemente o ensino real de Jesus de Nazaré, embora sob o literal respaldo do mítico Jesus Cristo. Hoje podemos avaliar que entre Jesus de Nazaré, o homem, e Jesus Cristo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade dos cristãos, há contradições e diferenças fundamentais.
          Por isso, não é adequado ao espiritismo, ao referir-se à conduta inspirada por sua filosofia libertadora e progressista, usar a expressão “moral cristã”, como o faz, habitualmente, o chamado “espiritismo cristão e evangélico”, e como vem de fazer, por exemplo, a União das Sociedades Espíritas de São Paulo – USE – em documento divulgado como a “Carta de Santos”, onde os espíritas são chamados a “assumir atitude ética, com base na moral cristã...”.
          O aludido documento com cuja proclamação encerrou-se o 16º Congresso da USE, realizado em Santos, mereceu, aliás, uma vigorosa crítica postada pelo combativo jornalista espírita Wilson Garcia em:  http://www.expedienteonline.com.br/carta-de-santos-uma-leitura/. Os motivos da crítica não são os mesmos da análise semântica e histórica expressa neste editorial, mas se referem às posturas políticas e ideológicos que, de acordo com o articulista, não se coadunam com a “tradição dialógica” daquela instituição. O arguto comunicador que, a propósito, tem, em seu currículo, uma longa folha de serviços prestados à USE, lança em sua minuciosa análise àquele documento esta instigante pergunta: “É ele resposta ao laicismo do grupo de Santos e, por extensão, à Cepa, seus integrantes e diretores?”.
A pergunta, vinda de um profundo conhecedor da história do movimento espírita paulista, deixa clara a perplexidade de seu autor que entrevê, pela leitura do documento, mudanças no perfil institucional daquele órgão unificador. Se afirmativa a resposta à indagação lançada, nós todos, que estamos engajados nesse esforço de fazer do movimento espírita uma expressão generosa de diálogo e de alteridade, só temos a lamentar.  Porque, de nossa parte, seguimos firmes no objetivo de expungir do meio espírita todas as expressões, manifestações e atitudes que neguem seu caráter humanista, progressista, ético, assectário, laico e livre-pensador.
  





O dia em que venci a máquina
A fatura que eu tinha para pagar vencera no dia 25. Mas 25 havia caído no sábado. Na segunda-feira, 27, dirigi-me ao terminal bancário. Coloquei o código de barras sob as luzinhas da máquina para a leitura, e a telinha acusou: título vencido, dirija-se ao caixa do banco para fazer o pagamento.
Não era possível! Digitei novamente minha senha. Entrei, de novo, na área de pagamento de títulos e, em vez de colocar 25, no espaço da data de vencimento, como havia feito antes, escrevi 27. Pronto! Agora foi possível o pagamento.

Inteligência artificial?
Foi necessário usar um pequeno e inteligente estratagema para enganar o computador e fazê-lo permitir que eu pagasse a conta. Tudo porque alguém, encarregado da programação da máquina eletrônica, se esquecera de informar ao sistema que 25 não era dia útil e, logo, os títulos vencidos naquela data teriam seu pagamento prorrogado para a segunda-feira.
O episódio do cotidiano me levou a pensar: fala-se tanto em inteligência artificial; que as máquinas vão dominar o mundo e delas nos tornaremos dependentes ou até vítimas. Bobagem! Por mais fantásticas que sejam essas máquinas, elas nunca pensarão e sempre dependerão de nós, que, inteligentemente, as programamos e as utilizamos.

Os simpáticos robozinhos japoneses
É certo que, sabendo explorá-las convenientemente, o ser humano, com o auxílio dessas fabulosas ferramentas, vai abrindo caminhos fantásticos, inimagináveis há bem pouco tempo. Dias desses, vi na televisão que algumas empresas japonesas já não usam recepcionistas humanas. Simpáticos robozinhos, com aparência e voz feminina, dão todas as informações solicitadas por quem chega à recepção. Todas? Bem, só aquelas que a experiência e a observação humana, de muitos anos, conseguiram detectar como sendo as buscadas pela clientela e que foram implantadas na memória das máquinas. Novas demandas exigirão novas informações a serem adicionadas no “cérebro” dos robozinhos recepcionistas. Quem as adicionará que não o ser humano?

Espírito, princípio inteligente do universo
O Livro dos Espíritos, na questão 23, define o espírito como “princípio inteligente do universo”. Na primeira quadra deste Século 21, a ciência segue presa ao dogma de que a inteligência é produto do cérebro humano. Nasce dessa concepção a utopia de se construir a inteligência artificial, aquela que, dizem, há de ser produzida por cérebros também artificiais. Nesse cenário, o grande desafio dos espiritualistas continua sendo aquele corajosamente enfrentado por Allan Kardec, no Século 19: a proposição de um novo paradigma do conhecimento que tenha por realidade fundamental o espírito imortal.
Toda a problemática espírita está contida no desafio acima. Falhando nesse objetivo, que não é só do espiritismo e que somente poderá ser alcançado mediante a interlocução com incipientes, mas respeitáveis, segmentos com disposição e coragem de fugir do paradigma materialista, a grande proposta de Kardec terá falhado. Poderá subsistir apenas como uma religião. Uma boa religião, capaz de dar consolo, mas inapta a provocar transformações. E é delas que o homem e o mundo estão, de fato, carentes.




Sobre o livre-pensar
Eugenio Lara - arquiteto e designer gráfico, é editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita e autor do livro “Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita”. E-mail: eugenlara@hotmail.com/

É muito comum em depoimentos, artigos e eventos promovidos pela Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), o uso da expressão livre-pensar para designar a atitude que os cepeanos têm diante do Espiritismo. Faz parte, inclusive, do slogan da entidade: kardecista, progressista e livre-pensadora, como lemos a seguir no texto extraído do site oficial da confederação:
“Livre-pensadora porque convida seus integrantes e as pessoas em geral a gozarem, em sua plenitude, do direito ao livre exame de todas as ideias, sem qualquer dogmatismo, e ao aproveitamento de toda reflexão, com critérios e métodos dentro e fora do Espiritismo.
“Liberdade de pensamento, de expressão e crítica são condições necessárias para um espírita autêntico poder se expressar. São direitos irrenunciáveis que a CEPA garante a todas as pessoas a ela vinculadas.” [www.cepainfo.org]
Mas o que é esse livre-pensar e como ele se situa no contexto da cultura espírita? Qual o seu significado para a filosofia espírita?

TRIUNFO DA RAZÃO
O livre-pensar ressurge de modo triunfante no final da Idade Média, com o advento da modernidade, inaugurada por grandes pensadores e cientistas, como Copérnico, Galileu, Kepler, Descartes, Bacon, pelos humanistas do Quattrocento, os renascentistas e, sobretudo, pelos iluministas do Século das Luzes.
Foi o Humanismo, filho dileto da Modernidade, o grande responsável pela mudança de foco e de atitude frente às questões do homem e do mundo. No lugar da fé cega, a razão. O livre-pensar, ao invés do dogmatismo. A Filosofia em oposição à Teologia. O ser humano como a razão de ser de qualquer atividade humana, o centro de tudo, mudando-se assim o eixo de análise, o eixo de importância na compreensão da realidade humana. Tal modo de pensar coincide com o fim da Idade Média, do feudalismo e o triunfo da burguesia. Os tempos são outros...
O livre-pensamento se desenvolve no seio da nascente modernidade como parte de uma atitude universalista de independência, autonomia e autodeterminação diante da realidade, em oposição a uma concepção dogmática e teológica que dominou a filosofia e o saber durante séculos. O livre-pensar é humanista e anticlerical por natureza porque significa uma nova atitude diante do homem e do mundo, amparada pela razão e a experiência, pelo reto pensar. A razão é a luz que ilumina a consciência e a liberta das trevas da ignorância religiosa, cavando assim um fosso profundo entre a ciência e a religião.

KARDEC E O LIVRE-PENSAR
De formação humanista e iluminista, o pedagogo Denizard Rivail, impregnado pelo espírito científico de seu tempo (o positivismo), estruturou uma filosofia espiritualista onde a observação, o livre exame, a razão, numa palavra, o livre-pensar, são componentes fundamentais em seu processo de construção. É interessante observar o que Allan Kardec tem a dizer sobre o livre-pensar.
Em um artigo sobre o avanço do movimento espírita francês, Kardec faz uma interessante análise das duas correntes antagônicas, o espiritualismo e o materialismo, “que dividem a sociedade atual”. As nuances dessas duas correntes são classificadas pelo fundador do Espiritismo em 15 categorias. Os indiferentes, panteístas, deístas, crentes progressistas etc. são algumas das categorias. O que nos interessa é a 14ª categoria, a dos livres-pensadores:
“14º – Os livres-pensadores, nova denominação pela qual se designam os que não se sujeitam à opinião de ninguém em matéria de religião e de espiritualidade, que não se julgam atrelados pelo culto em que o nascimento os colocou sem o seu consentimento, nem obrigados à observação de práticas religiosas quaisquer. Esta qualificação não especifica nenhuma crença determinada; pode aplicar-se a todas as nuanças do espiritualismo racional, tanto quanto à mais absoluta incredulidade. Toda crença eclética pertence ao livre-pensamento; todo homem que não se guia pela fé cega é, por isto mesmo, livre-pensador. A este título os espíritas também são livres-pensadores.”
Kardec faz uma ressalva e descarta o sectarismo, os “radicais do livre-pensamento”, que deveriam ser incluídos na categoria dos materialistas por sistema, denominação equivalente ao cético agnóstico e sistemático, portanto fanático como qualquer religioso fundamentalista:
“Mas para os que podem ser chamados os radicais do livre-pensamento, esta designação tem uma acepção mais restrita e, a bem dizer, exclusiva; para estes, ser livre-pensador não é apenas crer no que vê: é não crer em nada; é libertar-se de todo freio, mesmo do temor de Deus e do futuro; a espiritualidade é um estorvo e não a querem. Sob este símbolo da emancipação intelectual, procuram dissimular o que a qualidade de materialista e de ateu tem de repulsivo para a opinião das massas e, coisa singular, é em nome desse símbolo, que parece ser o da tolerância por todas as opiniões, que atiram pedra a quem quer que não pense como eles. Há, pois, uma distinção essencial a fazer entre os que se dizem livres-pensadores, como entre os que se dizem filósofos. Eles se dividem naturalmente em: Livres-pensadores incrédulos, que entram na 5ª categoria [os materialistas por sistema]; e livres-pensadores crentes, que pertencem a todas as nuanças do espiritualismo racional.” (Allan Kardec - Olhar Retrospectivo Sobre o Movimento Espírita - Revista Espírita (FEB), janeiro de 1867, grifo meu).

O DESEJO DE KARDEC
O que interessa mesmo ressaltar é a visão de Kardec acerca do livre-pensar, desenvolvida de forma didática, incisiva e bem sintética, captando e expondo o espírito da Doutrina Espírita: Não se sujeitar a nenhuma opinião em matéria de religião e de espiritualidade ou de alguma prática religiosa qualquer. Ser eclético, porque tal atitude corresponde ao livre-pensamento. Não se guiar pela fé cega. Segundo Kardec, “os espíritas também são livres-pensadores”.
Ao admitir o livre-pensar como a atitude autêntica e necessária diante das ideias, a CEPA se alinha ao desejo de Allan Kardec: de fazer do Espiritismo um movimento onde a liberdade de consciência seja uma de suas marcas registradas, em suma, um movimento de livres-pensadores.





Salomão abriu Ciclo de Estudos em Osório
O Diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, proferiu a palestra de inauguração do Ciclo de Estudos sobre a Obra Kardequiana”, promovida pela Sociedade Espírita Amor e Caridade, de Osório/RS, no último dia 21 de abril. Abordando o tema “Reflexões acerca da Natureza, Caráter e Objetivos do Espiritismo”, Benchaya enfocou, entre outros pontos, assuntos polêmicos, enfatizando, por exemplo, manifestações de Allan Kardec que sustentavam não ser o espiritismo uma religião. Antes da palestra, houve uma mesa redonda da qual participaram colaboradores da entidade anfitriã e um grupo de 15 integrantes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre que acompanharam Salomão nessa visita à Sociedade Espírita Amor e Caridade.
Na foto, o momento em que o presidente da instituição osoriense, Jerri Almeida, fazia a apresentação de Salomão. Ao apresentá-lo, Jerri reportou-se ao ano de 1978, quando Salomão, em conjunto com Maurice Herbert Jones, então presidente da FERGS, lançava no Rio Grande do Sul a Campanha de Estudo Sistematizado do Espiritismo, “um marco na história do espiritismo no Brasil”, segundo o dirigente da S.E. Amor e Caridade.


“Chico, Você é Kardec?”, em debate do CCEPA
A caminho de Pelotas, onde fez uma palestra pública e coordenou um seminário, promovidos pela Sociedade Espírita Casa da Prece, o escritor espírita Wilson Garcia visitou o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na tarde de 10 de abril último. Em encontro com estudiosos da doutrina espírita, no CCEPA, Wilson ocupou-se de considerações sobre vários temas de seus últimos livros, e, especialmente, a respeito da polêmica acerca da possível reencarnação de Allan Kardec na personalidade de Chico Xavier. A editora EME acaba de relançar o livro de Wilson Garcia “Chico, Você é Kardec?”, ampliando o debate do tema, com depoimentos de importantes personalidades do espiritismo brasileiro. A obra está à venda no CCEPA, ao preço de 25 reais.
Em Pelotas, onde esteve dias 11 e 12 de abril, Wilson Garcia fez palestra sobre o mesmo tema discutido no CCEPA e coordenou o seminário com a temática “Os Espíritos falam. Você ouve?”.
Na foto, um registro da presença de Wilson no CCEPA, juntamente com Maurice Jones, Salomão Benhaya e Milton Medran.




Espiritualidade e ateísmo
Interessante a matéria sobre Espiritualidade e Ateísmo (CCEPA Opinião 228). Não conhecia esse autor. Baixei o "Tratado das grandes Virtudes" e vou ler. Caso seja bom vou adquirir o "O Espírito do Ateísmo".
Na definição que tenho do ateísmo não caberiam especulações de natureza espiritualista, mas, receptivo a novas propostas e principalmente àquelas que sejam próximas às minhas convicções atuais, sinto prazer em conhecer e quem sabe aderir.
Aldo Pires - São José dos Campos - SP. (manifestação postada na lista de discussão da CEPA, na Internet)

Da religião ao laicismo
Li o livro de Salomão Jacob Benchaya “Da Religião Espírita ao Laicismo – A Trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre”, e, então, descobri, surpreso, o que havia acontecido com a antiga SELC, que frequentei quando morava em Porto Alegre. Muitas vezes, penso que poderia haver um meio termo entre a busca pelo conhecimento e a prática da caridade, digamos assim. Entendo a escolha do CCEPA e me identifico com ela, de certa forma. Ela reflete uma postura desvinculada de ritos e crenças, que norteavam meus anseios de adolescente, quando conheci o Espiritismo. Digo “de certa forma”, porque me sinto hoje em uma espécie de limbo existencial. Acabei por me afastar das casas espíritas e, no fundo, gostaria de empreender alguma tarefa mais significativa do ponto de vista da espiritualidade.
Renato Luis Petry – Brasília/DF.

sábado, 18 de abril de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 228 - ABRIL 2015

  Espiritualidade e Ateísmo 
  É possível conciliar?
Com o livro “O Espírito do Ateísmo”, o filósofo francês André Comte-Sponville busca consolidar tese compartilhada por outros filósofos pós-modernos que defendem uma espiritualidade desvinculada da crença em Deus.

O espírito situa-se no domínio do absoluto, do atemporal
O subtítulo do livro de Comte-Sponville é “Introdução a uma espiritualidade sem Deus”, o que deixa clara sua proposta. A obra trilha caminho diferente de outros livros ateístas contemporâneos que adotam postura agressiva a toda a forma de espiritualidade, vinculando como indissociáveis a crença em Deus e o espiritualismo. É o caso do best-seller de Richard Dawkins, “Deus, um Delírio”. André Comte-Sponville defende a possibilidade de ser ateu e, ao mesmo tempo, cultivar valores que atribui ao espírito. Em sua obra, o filósofo francês admite ser a religião uma forma de espiritualidade, mas “nem toda a espiritualidade é religiosa”, afirma. Dizendo ser a religião “uma crença que aponta para o sobrenatural, para o transcendente, para o sagrado e para o divino”, sublinha não crer em nada disso. Espiritualidade para ele, “é a vida do espírito, especialmente em sua relação com o infinito, com a eternidade e com o absoluto”. Isso não é uma crença, mas, basicamente “uma experiência” que submete “nosso aspecto finito ao infinito, nosso aspecto temporal à eternidade, nosso aspecto relativo ao absoluto”.
Antes de lançar “O Espírito do Ateísmo”, sua mais arrojada obra, André Comte-Sponville defendeu que a prática da virtude não é incompatível com o ateísmo e nem a fonte primordial da virtude é a religião. Em seu livro “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” (*) cita Spinoza, para quem “a virtude é a própria essência ou a natureza do homem enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer pelas leis de sua natureza.”.
Toda a obra do autor francês gira em torno de um ateísmo que não prescinde dos chamados “valores cristãos”, como a comunhão e a fidelidade. Rejeita o que chama de “niilismo bárbaro”: “tão nocivo e incivilizado à sociedade quanto os piores fundamentalismos religiosos”.

Ateu também tem espírito
A obra de Comte-Sponville sustenta que “ateu também tem espírito”, ou seja, um lado espiritual. Isso é o que distingue o ser humano dos demais animais. Segundo ele, quando contemplamos uma bela paisagem ou gozamos uma sinfonia de Mozart, é precisamente o espírito que está a vivenciar uma experiência envolvendo o absoluto e o ilimitado.
O autor francês não está sozinho nessa corrente de pensamento que alguns denominam “espiritualismo ateu”. Seu precursor foi outro pensador francês, Alain de Botton, autor de “Religião para Ateus”, obra que recomenda se busque na religião elementos de agregação grupal e de força simbólica, dispensando Deus, a magia e a irracionalidade, mas enfatizando a ética do bem-estar. Mais ou menos na mesma linha, Luc Ferry tem trabalhado insistentemente com ideias de uma ética laica, a ser assumida pela sociedade pós-moderna.

*O livro “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” pode ser baixado em:
http://www.pfilosofia.pop.com.br/03_filosofia/03_03_pequeno_tratado_das_grandes_virtudes/pequeno_tratado_das_grandes_virtudes.htm -




Conversa para livre-pensadores
O espiritismo não prescinde da ideia de Deus, conceituado na questão número 1 de “O Livro dos Espíritos” como “Inteligência suprema e causa primária de todas as coisas”. Assim, não seria teoricamente correto admitir a existência de um “espiritismo ateu”.
Apesar disso, é crescente o número de pensadores genuinamente espíritas que se mostram inconformados com a cristalização, em nosso meio, do deus pessoal das religiões, notadamente o deus bíblico, “criador de todas as coisas” e cuja vontade e interferências na vida de cada um terminam por tornar nulos o livre-arbítrio humano ou a autovigência das leis naturais, definidas na questão 614 de O Livro dos Espíritos como sendo as próprias leis divinas, sob cuja regência há um permanente criar e recriar na natureza.
Mesmo filiando-se à corrente filosófica deísta, não é na crença em Deus, mas na realidade do ESPÍRITO e suas manifestações que se funda a filosofia espírita. Quando a questão 23 da obra basilar do espiritismo define o Espírito – grafado em inicial maiúscula - como “o princípio inteligente do universo” está aproximando esses dois grandes conceitos – Deus e Espírito – para dar margem a uma concepção de vida que pressupõe o absoluto, o infinito, e extrapola as contingências relativas e finitas da matéria.
A nova corrente filosófica que floresce na França – a mesma França do Professor Rivail - pode não estar preocupada com outros aspectos, para nós muito caros e, mesmo, fundamentais, que dizem com o espírito individualizado, aquele que nasce, vive, morre e renasce, sem perder sua individualidade. Mas, tanto quanto nós, aqueles pensadores veem o ser humano como espíritos, atribuindo justamente a essa sua condição essencial todo o cabedal ético e estético conquistado e a conquistar.
São, pois, posições que se complementam e se harmonizam, recomendando, mesmo, a busca da aproximação, do diálogo, da interlocução. Isto, no entanto, só será viável no dia em que o espiritismo, como aconselhou Kardec, deixar se “enfeitar” com um título que não lhe pertence, o de uma religião (Discurso na SPEE, em 1º.11.1868). Essa é uma conversa para livre-pensadores que, mesmo por caminhos diferentes, poderão conduzir o mundo a um novo e fulgurante patamar (A Redação).

Responsabilidade Penal
Uma reflexão espírita
“Redução da maioridade penal ataca efeitos e não a causa”.
(Tadeu Alencar – Deputado Federal, membro da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara Federal).

O incremento da violência no Brasil provoca, uma vez mais, debate em torno da redução da maioridade penal, constitucionalmente fixada em 18 anos. Reconheçam-se algumas verdades que fundamentam os argumentos dos defensores da ideia. A primeira delas: as estatísticas atestam a crescente escalada de violência entre adolescentes, na faixa dos 15, 16 e 17 anos. A segunda, e particularmente relevante para quem, como nós, espíritas, defende a condição evolutiva humana: cada vez mais cedo a criança atinge condições biopsicológicas de entender o caráter delituoso de fatos definidos como crime. A tradição cristã admite, de há muito, que a criança aos sete anos alcança a “idade da razão” e, teologicamente, já se lhe pode imputar o cometimento do pecado, até dos chamados “mortais”, passíveis de punição eterna. Um modelo, diga-se de passagem, anacrônico e nada compatível com o espiritualismo humanista e minimamente racional.
De qualquer sorte, sustentam os defensores da redução da maioridade penal que um jovem na faixa de 16 anos, aliás, hoje muito bem informado, graças ao avanço das comunicações, e a quem já se faculta, inclusive, participar, pelo voto, dos destinos da nação, deveria, necessariamente, ser responsabilizado pela prática de delitos, muitas vezes de enorme gravidade.
Estão equivocados. A responsabilização existe. O Brasil dispõe de uma legislação modelar prescrevendo a menores inimputáveis medidas socioeducativas que vão da mera advertência, para infrações de baixo potencial danoso, até a supressão da liberdade, retirando-se o menor do convívio social para submetê-lo, teoricamente, a rigorosos processos educativos em estabelecimentos especializados.
O espírito da lei, observe-se, para o menor de 18 anos, não é de punição, mas de reabilitação. Em perfeita consonância, aliás, com preceito expresso na questão 796 de O Livro dos Espíritos onde se deplora a existência de leis que “mais se destinam a punir o mal depois de feito do que a lhe secar a fonte”, acrescentando: “só a educação poderá reformar os homens que então não precisarão mais de leis tão rigorosas.”. Mostra-se correta, pois, a posição de alguns parlamentares brasileiros que se opõem à redução da maioridade penal, sob o argumento de que isto apenas atacaria os efeitos, quando, o que a lei deve buscar é reduzir a prática do crime. 
É equivocada a ideia de que a criminalidade infantojuvenil decorra da lei ou da falta dela. O fenômeno, antes, é fruto das graves distorções educativas de nossa sociedade. Famílias desestruturadas, ausência de valores éticos motivadores do agir pessoal, exemplos danosos partindo de autoridades públicas, descaso com o ensino e com a educação no lar e na escola, contribuem, sabidamente, para uma cultura criminógena. Na quadra da vida em que o espírito encarnado é mais suscetível à aquisição de hábitos a nortearem sua existência, tais distorções muito provavelmente o impelirão a rumos nefastos para si e para os que o rodeiam.
Não será aplicando-lhes as mesmas sanções de pessoas adultas e, muito menos, fazendo-os cumprir suas penas junto a experientes e empedernidos criminosos que se irá resolver o grave problema da criminalidade de jovens de 16 a 18 anos. Há, sim, que se aprimorar o sistema, dotando os meios hoje existentes - tão precários, ainda -, de efetivos recursos materiais e humanos, voltados à sua educação e recuperação. Sempre é tempo para isso, especialmente a partir da premissa de que espírito algum é irrecuperável.





A queda do airbus
Escrevo a coluna sob o impacto da queda do Airbus sobre os Alpes franceses, no dia 24 de março. Este não foi o primeiro, nem será o último. Desastres aviatórios acontecem desde que Santos Dumont aventurou-se a fazer voar artefatos mais pesados que o ar. Mas este não foi um simples acidente. Ao jogar o avião sobre as montanhas geladas de Seyne-les-Alpes, Andreas Lubitz, 28 anos, deliberou tirar sua própria vida e a de 149 outras pessoas, incluindo aí bebês e adolescentes.

A fragilidade humana
A primeira reflexão sugerida pela tragédia desnuda a fragilidade da vida humana. Nada garante que, a qualquer momento, não seja ela extinta por um acontecimento fortuito, rotineiro, ou por um ato insano ou violento. E, então, perplexos, nos perguntamos: Como pode ser frágil assim um ente de tão riquíssimos atributos como o ser humano? Por milhões de anos, a natureza foi construindo esse complexo biológico dotado de aguçados sentidos, racionalidade, sensibilidade e aptidão de transformara si e a seu meio. O que há de errado nas leis da natureza que permitem a destruição de pessoas em condições tão flagrantemente injustas? Em cada uma sintetizam-se todas as conquistas evolutivas da espécie e se fazem presentes elementos personalíssimos que a tornam única, singular. Destruída, resta a frustração, talvez a negação de que possa, realmente, haver um sentido para a vida. A vida humana e o próprio universo seriam regidos pelo caos.

A natureza e a morte
Arthur Schopenhauer sustentava que a natureza não tem a menor preocupação com a morte: “Contempla a partida com ar indiferente, não se preocupa com a morte ou a vida do indivíduo”, entregando-o “a todos os acasos” e “não fazendo o mínimo esforço para salvá-lo”.    Mas, paradoxalmente, segundo o filósofo alemão do Século XIX, é justamente com essa sua indiferença que a natureza nos dá a grande lição da imortalidade, eloquentemente presente em suas leis.
Allan Kardec elencou entre as dez leis fundamentais da natureza a de destruição: “É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar”. O que chamamos destruição, “é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos”, disseram-lhe seus interlocutores espirituais.

Na morte, o sentido da vida
Então, por aí, podemos divisar na morte o sentido da vida, mesmo quando flagrantemente injusta e ainda que resulte de ato cruel ou insano, capaz de produzir indignação. A propósito, um raciocínio raso aconselharia o conformismo diante de episódios assim, porque eles estariam previamente marcados e integrariam um mapa de reajuste individual, necessário ao progresso do espírito. Fosse assim, também aí estariam a crueldade e a insanidade, contrárias à natureza que não quer o caos, mas busca a harmonia. Mesmo indiferente à morte, por não ver nesta mais que um episódio da vida, a natureza oferece meios mais nobres de regeneração e crescimento.
Nego-me a aceitar que acontecimentos da dramaticidade e da estupidez daquele dos Alpes possam encerrar qualquer forma de justiça. Compreendo o sentido da morte, o que não me obriga a sempre me conformar com ela.






“O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos“ (Allan Kardec em comentário à pergunta 67 de O Livro dos Espíritos).

“Atrás de cada usuário de drogas existe um ser humano“ (Ana Regina Noto – Coordenadora da Campanha Nacional sobre Drogas).


O Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) promoveu no dia 08 de dezembro o seminário “A educação, prevenção às drogas e tabagismo”, onde foram apresentados alguns números que merecem destaque: um levantamento nacional entre universitários das 27 capitais brasileiras, realizado em 2010 aponta que 86% dos universitários já utilizaram álcool; 47% consumiram produtos de tabaco e 49% já usaram alguma substância ilícita.  Como de costume, encerraram o seminário conclamando por parte da sociedade um forte engajamento no grande combate contra as drogas .

O objetivo, nobre por sinal, é preparar as novas gerações formando cidadãos mental e fisicamente sadios, pois eles são o melhor legado para o futuro do país. É um chavão muito batido, mas que, em outras palavras, significa que a educação é o melhor remédio.

Na pergunta 68 do Livro dos Espíritos, Kardec indaga qual a causa da morte entre os seres orgânicos, tendo como resposta dos espíritos ser “o esgotamento dos órgãos a causa da morte entre os seres orgânicos“. Na teoria espírita se dá muita importância à ação do espírito sobre a matéria e que a vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria.

Percebe-se, então, a enorme importância desse equilíbrio matéria/espírito durante toda a nossa encarnação. Cuidar do nosso corpo passa a ser, pois, de suma importância para uma encarnação produtiva.

Segundo o CIEE, algumas ações de prevenção têm resultado em efeitos positivos, como, por exemplo, o número de fumantes que corresponde hoje a 11,5% da população entre 12 e 65 anos. No começo da década passada eram mais de 30%. Essa redução se deve a medidas de restrição e ao aumento, de cerca de 108%, na taxação. A campanha também se baseou na apresentação dos efeitos colaterais desagradáveis causados pelo uso intensivo do cigarro.
No mesmo seminário, ficou evidente que a porta de entrada hoje de todas as drogas é o uso abusivo do álcool, notadamente entre os mais jovens.
A se destacar na apresentação dos trabalhos é, a meu ver, a carga enorme de trabalho preventivo dada às escolas e à prática de esportes no sentido da prevenção contra as drogas. Mesmo assim, alertam: “os traficantes já estão nas escolas”. Preocupa-me a pouca citação, ou quase nenhuma, na verdade, do papel da família e da educação no lar. A importância de uma espiritualidade sadia sequer é mencionada, pois, por força da laicidade do estado, espiritualidade passa a ser encarada como uma questão de foro íntimo.
                                                                                                              
 Quanto a nós, espíritas, sempre acreditei que temos a obrigação de apresentar aos nossos filhos a riqueza do Espiritismo no desenvolvimento de nossas vidas, pois trata-se de uma filosofia espiritualista isenta de preconceitos, que exige estudo e cultura de seus adeptos e vê na vida futura o seu paradigma para atuação vibrante na vida presente.  Daí a relevante importância que a doutrina espírita dá à fase da infância na formação de valores, aperfeiçoamento moral e eliminação de vícios de caráter.

Em resposta à pergunta 383 (Livro dos Espíritos), de qual seria a utilidade para o Espírito em passar pelo estado de infância, os nossos amigos espirituais asseveram que “o Espírito encarnando para se aperfeiçoar, é mais acessível durante esse período às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados da sua educação“ .  Sábias palavras.




Depois do Curso Básico, um novo CIBEE
Com programação de cinco módulos, sempre às quartas-feiras, à tarde, teve início dia 25 de março, o Curso Básico de Espiritismo, ministrado no Centro Cultural Espírita. Após a saudação feita pelo presidente do CCEPA,Milton Medran Moreira, aos cerca de 40 participantes do curso, foi desenvolvido o primeiro módulo – “O Que é o Espiritismo”, porSalomão Jacob Benchaya. Seguiram-se, nas quartas-feiras subsequentes, os módulos “Imortalidade, Sobrevivência e Evolução do Espírito”, “Comunicação Mediúnica” e “Pluralidade das Existências e dos Mundos Habitados”, todos eles expostos pela pedagoga Dirce Teresinha Habkost de Carvalho Leite(foto).
O último módulo, com a temática “Consequências Morais do Espiritismo”, no dia 22 deste mês de abril, estará a cargo de Milton Medran Moreira.
Os participantes do Curso que desejarem permanecer vinculados às atividades do Centro Cultural Espírita poderão participar de um novo grupo regular de CIBEE (Ciclo Básico de Estudos Espíritas) que, coordenado por Dirce, deverá se desenrolar também às quartas-feiras e no mesmo horário, em caráter permanente. O novo grupo está aberto a todos os interessados.

CCEPA presente no Fórum do Espírito Santo
Cerca de dez integrantes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre já confirmaram presença no VII Fórum do Livre-Pensar Espírita, promoção da CEPABrasil, que acontece dias 28, 29 e 30 de maio, na cidade de Domingos Martins, região serrana do Espírito Santo.
Com o tema “Contribuição da Filosofia Espírita para o Desenvolvimento Ético da Sociedade”, o presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, será um dos painelistas do evento que tem como temática central “A Contribuição Livre-Pensadora para o Desenvolvimento da Natureza do Espiritismo”. Para coordenar um dos painéis do Fórum, também foi convidado o ex-presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira.

Salomão e caravana do CCEPA em Osório
No próximo dia 21/4, o Diretor do Departamento Doutrinário do CCEPA,Salomão Jacob Benchaya (foto)a convite da Sociedade Espírita Amor e Caridade, de Osório/RS, profere palestra, ali, com o tema “Natureza, Caráter e Objetivo do Espiritismo” (20h). Um grupo de colaboradores do CCEPA acompanhará Salomão a Osório, para um encontro com os trabalhadores da instituição anfitriã.




Pena de morte
Excelente o comentário do colunista Milton Medran Moreira em “Opinião em Tópicos” de março. Se, para quem é materialista, o bom senso indica que pena de morte é algo errado (afinal, seria tentar resolver um crime cometendo outro), imagina para nós, que conhecemos o lado espiritual.
Paulo Roberto Daguer Rubin – Porto Alegre/RS.

Por uma nova ética
A análise feita pelo editorialista deste jornal me fez lembrar a comunicação de um espírito coletada por Kardec na qual ele (o espírito) fala que os homens dão extrema importância às questões e paixões políticas, mas esquecem e enxergam com  menosprezo as questões morais. Nesta comunicação, o espírito fala que devemos voltar a nos empolgar com as questões ditas morais. Não serei eu que irei desprezar as questões políticas, mas realmente devo concordar, como espírita que sou, que o individual reflete poderosamente no social.
Homem e mundo e mundo e homem influenciam-se reciprocamente. Neste sentido, além de nossos problemas políticos e institucionais, penso que nosso país passa por uma crise de valores éticos tremenda. Temos até uma frase paradigmática da formação ética brasileira: "o negócio é levar vantagem em tudo, certo?"
Estamos vivendo em um país em que um importante Senador da República fala que quer ver  a Presidente sangrar até o fim de seu mandato, para o seu partido, ao final de tudo, tomar o poder.
Vivemos em um país em que setores da população não têm vergonha de ir à rua com uma faixa pedindo a volta da ditadura militar, esquecendo das dores e lágrimas de todas as vítimas deste período negro de nosso país.
Por outro lado, de que adianta sairmos às ruas batendo panelas pedindo mudanças coletivas, se somos incapazes de ser gentis, humanos e éticos  no trânsito, em nosso condomínio, nas ruas, em nosso trabalho etc?
RIcardo de Moraes Nunes – Guarujá/SP.


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